Palavra da vez: adaptação

outubro 19, 2010

Pois é, depois de 5 meses e pouco grudada na pequena chegou a hora de voltar a trabalhar.

Percebi que estava mega acostumada a ficar juntinho dela no primeiro dia de adaptação no berçário. Lá estava eu sentadinha no sofa da escolinha toda equipada: livro, trico e celular com a bateria full pra passar o tempo. Mas quem disse que conseguia me concentrar, qualquer chorinho (que não era dela) eu ficava atenta.

Enquanto eu estava lá, com o coração partido, me sentindo mega culpada por ela ter que ficar o dia todo no berçário e disfarçando a lágrima para ninguém notar, a pequena sorria para todas as berçaristas e pedagogas. Chorou para comer e dormir, coisa que faz em casa.

Senti tanto orgulho quando a pedagoga disse que ela era uma fofa, super tranquila e sorridente, que se adaptou rapidamente, que tive vontade de chorar de novo rss

Recadinho da pedagoga do primeiro dia

Acho que o fato de eu e o Thiago estimularmos ela a brincar com todo mundo e ir no colo da família e amigos facilmente ajudou na adaptação.

A adaptação dela foi tão tranquila no primeiro dia que no segundo dia a pedagoga já mandou eu passear rsss Mas fiquei o terceiro por conta própria. Sabe como é mãe, pra desgrudar da cria é complicado.

Confesso que ainda fico ansiosa, contando as horas para ir buscá-la e ver aquele sorrisão gostoso com covinhas na bochecha e olho apertadinho. Fico um pouco aflita pensando se ela está bem, se estão cuidando dela direitinho, é difícil, mas acho que com o tempo eu acabo me adaptando totalmente, até porque a pequena já se adaptou rss.

O primeiro dia do pai

agosto 9, 2010

Hoje de manhã eu recebi um telefonema, era a minha mãe e ela disse, – feliz dia dos pais! – aí, depois de uma hora mais ou menos, outro telefonema, era o irmão da Tati. A mesma coisa. Ok, eu não posso dizer que fiquei totalmente surpreso, afinal de contas eu sabia que era dia dos pais e que agora eu sou um pai, a Tati até já tinha me dado um presente (uma miniatura do Jack do Nightmare Before Christmas, genial!), mas é estranho, de repente me inserir em um grupo de pessoas que recebe felicidades, quado estava acostumado a viver o outro lado da história. É legal, me senti mais velho, verdade, mas é estranhamente legal.

E o que é o dia dos pais? Bom, a criação dessas datas comemorativas é sempre algo muito duvidoso, mas quer saber, hoje, deixa pra lá. Hoje eu dei a primeira volta com a Alice pendurada no baby bag pela paulista e depois pela casa das rosas e a Tati estava comigo e meu pai também. Depois fui ver meu avô e Alice viu a vó coruja. Deu pra perceber que ser pai é bem mais que trocar fraldas, e que esse muito mais é a melhor parte. Ficamos pensando na Alice daqui um tempo correndo de um lado para o outro nos jardins da casa das rosas, fazendo bagunça. As coisas se transformam né. Parece que não passou nada e eu era solteiro e depois a Tati apareceu e começamos a morar juntos e de repente tínhamos uma cama, uma máquina de lavar roupas, uma televisão, um sofá, um apartamento, um casamento, uma filha. Ela já escreveu um pouco sobre isso, a gente sonhava muito com as coisas e as coisas acontecem e de repente já não estamos tão seguros sobre a vida e tudo mais, e sonhamos outras coisas e assim vai. Eu sempre gostei de começar, não importa o que. Eu gosto de começar coisas e quando elas estão acabando, comecar outras.

Estou ouvindo um disco do Tom Waits que já deve ter uns 8 anos e fazia um tempão que não ouvia. É um disco totalmente diferente agora. Tudo é diferente. O disco chama-se Alice. A Alice é assim, muda todos dias, um pouquinho de cada vez. E eu preciso me acostumar com a idéia de que também estou mudando. Dia 29 faço 30. Faço 30 e tenho uma esposa, uma filha, uma casa e contas para pagar. As vezes não me reconheço. Meu exercício diário é tentar não levar tudo tão a sério. Nisso a Alice ajuda muito :) .

Acho que me perdi no post, mas tudo bem, como sempre me perco e me acho no meio do caminho. A Alice está dormindo e nem desconfia que estão falando dela, não deve ter nem idéia do que é um pai, além do bocoió que fica fazendo careta o tempo inteiro. Eu nem desconfio o que é ser pai, além desses quase 3 meses aventurados. Acho que eu e ela estamos no mesmo patamar. Estamos começando. Vamos começar quantas vezes forem necessárias.

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My dad is a superhero

agosto 7, 2010

My dad is  superhero

Alice

Desde quando começamos a namorar eu tive a certeza de que o Thiago seria um ótimo companheiro, daqueles que vc tem vontade de construir uma família, de envelhecer juntinhos.

Esses dias pensando na vida lembrei que no começo do namoro ficávamos perguntando um para o outro “Vc quer ser a mãe dos meus filhos?” ou “Vc quer ser o pai dos meus filhos?”. Agora com a Alice aqui me dá até arrepio de pensar, pois falávamos sem muita certeza do futuro, do que iria acontecer, era o que sentíamos no momento.

Conforme o tempo foi passando, fomos conquistando nossas coisinhas: cama de casal (primeira compra do casal rsss), máquina de lavar, tv, liquidificador, sofá e assim vai…coisinhas que todo casal sonha, até comprarmos o nosso cantinho.

Esperávamos ter um bebê daqui uns dois anos, mas a pequena resolveu adiantar o processo e com ela veio o pensamento de como é bom rever o passado e ver que tudo o que conversávamos na calada da noite juntinhos, que sonhávamos, está acontencendo, estamos vivendo.

Sempre que vejo o Thiago brincando com a Alice tenho mais certeza de que ele é o homem da minha vida e que a Alice tem o melhor pai do mundo, carinhoso, atencioso, amoroso e divertido rss

Vejo os dois como uma dupla dinâmica, imagino o Thiago ensinando a Alice a tocar algum instrumento, indicando os quadrinhos pra ela ler, cd dos Mutantes pra ela ouvir, uma espécie de pai superherói, que ela vai ter orgulho de ter, tendo ele como referência pra vida toda.

Papai, feliz dia dos pais adiantado. O primeiro a gente nunca esquece rsss

Ob.: digitando com a Alice no meu colo, ela tb participa da homenagem

Hoje fui com a minha mãe levar a pequena para tomar vacina. Que tarefa difícil. Enquanto a enfermeira preparava as vacinas, minha mãe comentou que ela não foi em nenhuma vacina minha porque não ia agüentar me ver chorando de dor, então minha tia que me levou.
Mas hj choramos as três: a pequena pela dor da picada, minha mãe e eu pela dor no coração ao ver a pequena sofrer.
E como disse a enfermeira: se prepara mãe, porque será assim até a Alice completar um ano. Mas eu acho que será assim sempre rss

Eu aqui, tomando chá de cadeira de fornecedor achei tempo para escrever um pouco no blog. Depois do post de religião, vamos para coisas mais tranquilas rs.

Faz mais ou menos uma semana, fomos à pediatra, consulta de rotina. É bacana, sempre encontramos crianças e pais nas recepções, pessoas de todos tipos, bebês para todos gostos. Os muito pequeninos são oito ou oitenta, ou ficam quietinhos ou esperneando, os maiores já estão espertos, risonhos. Mas o curioso mesmo são os adultos. Quase todo adulto, perto de criança, fica bobo. O bebê se caga todo – Aaaaahhhh, fez cocozinho, que fedozinho, que bonitinho – como assim??? Vamos ser racionais. Tem noção do cheiro, é merda amarela até o pescoço, amigo! Bom, antes de mais nada, eu também acho uma graça ver a Alice ali toda suja olhando pra gente como se nada estivesse acontecendo, as vezes rachando o bico. Difícil entender?

Eu lembro, pelo menos acho que lembro, da primeira vez que Alice sorriu. Ela estava mamando e em um dos intervalos deu uma risadinha bem contida. Foi aquela comoção. Mas aí a Tati disse que era normal, que é praticamente um reflexo. Tudo bem, foi legal do mesmo jeito. Acontece que depois disso, parece que um gene secreto em nosso DNA resolve se rebelar e dentro de você começa a nascer um palhaço, uma pessoa sem muita noção de ridículo, ou simplesmente paramos um pouco com a babaquisse da vida adulta e voltamos a ser criança.

Aquele pedaço de gente largado, tentando sentar no carrinho, aquela bolinha gordinha, braquela e cabeluda está me deixando mais mole, mais lúdico e feliz. Quando percebo já estou na frente dela pulando e fazendo careta, barulho de pum com a boca, cantando, uivando, tudo para arrancar um sorriso.

Gostoso né

Ela pode chorar a noite toda, cagar três vezes seguidas, é só soltar uma risadinha dessas que a gente começa tudo de novo na maior felicidade.

Ah, a religião!

junho 19, 2010

Vamos lá, falar sobre um assunto que quase ninguém gosta de falar. Eu tinha um texto praticamente pronto para publicar, mas joguei no lixo. Eu não quero parecer agressivo, ou tentar mudar a opinião das pessoas, até porque não é esse o objetivo do blog. A questão é que, quando se trata de religião, a simples exposição dos fatos parece criar uma certa polêmica e pode parecer que estamos querendo levantar bandeira. Acho que certas coisas, em outras oportunidades, devem sim ser discutidas, mas o objetivo do post é mostrar nossa posição em relação à religião na vida da pequena.

Muita gente já perguntou – vocês vão batizar a Alice? – Não, não vamos.  – Mas por que? É uma ritual, boas energias, não custa nada, ela nem vai se lembrar. – Aqui, a questão cai sobre a igreja católica e é nesse ponto que vou me focar, embora minha posição sirva para todas religiões. Antes de mais nada, eu e Tati temos algumas opiniões diferentes sobre o assunto. Ela teve uma criação relifiosa, batismo, comunhão e embora hoje não possa ser considerada católica, tem essa crença mais nebulosa em uma entidade criadora que nos ouve e nos ajuda, no fim das contas, um deus. Eu não fui batizado e não tive a mesma criação religiosa, mas minha família é católica, misturada com uma série de outras coisas, então tive muitas influências. Fiquei confuso algumas vezes, mas resumindo, me descobri ateu.

Mesmo com essas diferenças, eu e Tati concoramos em algumas coisas. O mais importante é, quem vai saber em que acreditar ou não é a Alice. Para isso, terá o tempo dela, será bem educada e poderá até mudar de opinião no decorrer do caminho. Obviamente esse tempo não é agora.

A minha opinião é de que a maioria acredita em um deus específico por influências lá na infância, tanto da família, como de todo ambiente ao redor (educação, amigos, pais de amigos, etc). É uma reposta simples e bem direta, no fim das contas a que mais faz sentido. De qualquer forma eu não acredito que seja função de ninguém influenciar essa característica individual, sou absolutamente contra doutrinar crianças.

Agora, voltando ao batismo e igreja católica, já que algumas pessoas acham tudo um ato inofensivo. Como pai, dentre outros motivos, não quero minha filha dentro de uma instituição autoritária que, por exemplo, excomungou uma mulher que, dentro da lei, fez um aborto ao ser vítima de estupro, excomungou os médicos e não excomungou o estuprador. (para os que não lembram do assunto). Não estou querendo pegar pesado, apenas os atos da igreja que não depõem a favor dela. Agora se Alice, quando educada e consciente do que faz, quiser seguir esse caminho, ficarei feliz por, pelo menos, ela saber onde estará se metendo.

O fato é que o nosso maior esforço na educação da Alice será em ensina-la, não apenas aceitar, aprender e conviver com as diferenças, mas principalmente enxergar o que temos em comum. Que saiba ouvir, questionar e argumentar, seja a religião, a fé, ou a ciência, afinal, somos todos livres.

E por falar em futebol.

junho 8, 2010

Já que o Thiago tocou no assunto, eu vou adiantar um post sobre futebol. Sim, a velha questão, para qual time ela vai torcer?

A pequena não completou nem um mês e já começaram os comentários: “Olha filha, o timão tá jogando”, ou “Filhota, o Robinho do nosso time foi para a seleção”.

Já deu para perceber para quais times torcemos né?

Eu e o Thiago combinamos em muita coisa, mas no time não tem como, ele é corinthiano com a ajuda da sua família quase que toda, e apoio do meu irmão. Eu sou santista com o apoio de alguns tios e primos.

Logo que soubemos que estávamos grávidos, um amigo nosso (Daniel Miclos) deu um macacão do Corinthians para a Alice, para ajudar esses dias eu cometi um pecado, no meio da madruga fria de Sampa a pequena sujou o macacão que estava usando e eu precisava trocá-lo, porém todos os macacões mais quentinhos estavam secando no varal, exceto qual, qual? Sim, o que o Miclos deu. Não tive escolha, com o frio que estava, tive que colocá-lo na Alice.

Ao acordar de madrugada para me ajudar com a pequena que estava chorando de cólica, e se deparar com a Alice vestindo o macacão, o Thiago sorriu de alegria e ajudou a cuidar da pequena mais feliz.

É, e não fica por ai, esses dias o Thiago me chega em casa com uma blusa de frio para a pequena do “Curintia” e escrito atrás “Todo poderoso Timão”. Posso com isso? Mas deixa ele, e-commerce existe e logo logo vai chegar um presentinho para a Alice enviado pelo Neymar rsss

É, a disputa vai ser difícil, mas eu vou esperar ela crescer, afinal de consta ela não entende ainda “né amor?” E temos que respeitar o direito de escolha dela, bem como a religião. Esse é outro assunto que vai dar pano para manga.

Bjão,

Tis
(mamãe da Alice)

Na noite anterior

junho 7, 2010

Olá a todos, mamãe a bordo. Demorei, mas apareci. Aproveitei uma folguinha da pequena para colocar um post rápido. Na verdade é copy/paste de um e-mail que enviei para alguns amigos na noite anterior ao nascimento da Alice. Sabe como é, mamãe super emotiva, contando as horas para o parto, ansiosa para conhecer a filhota. Então resolvi escrever o que estava sentindo e enviar aos amigos que acompanharam a minha gravidez e que também estavam super ansiosos como nós para ver o rosto da pequena.

Lá vai:

“É meu povo, essa noite será a última com a pequena dentro de mim, a última que ela vai me chutar quando eu estiver deitada de lado pedindo para eu virar porque está incomodando, a última que eu fico acordada com refluxo porque a barriga está pesando em cima do meu estômago… rsss

Por outro lado, amanhã a noite será a primeira que passarei ao lado da minha pequena, já saberei como é o rostinho dela, o cheirinho dela, chorarei com ela no colo..rss…

É, agora a ficha não tem como não cair…

9 meses de espera: enjoando, engordando, inchando, ouvindo quinhentos tipos de conselhos diferentes, não sabendo ao certo a quem ouvir, preocupada em como ser uma boa mãe, sonhando com o rostinho dela, preocupada com a saúde dela, esperando, esperando, esperando..

Essa será a última noite de espera, porque amanhã a pequena estará aqui e conhecerá a família e os amigos que já a amam tanto sem ela ter noção do que é isso.

Queria agradecer o carinho de todos, os pensamentos positivos e toda força que tive de todos.

Como diz meu amigo, o delivery será amanhã às 18h (rsssss) no hospital Santa Catarina. Muito provável que não conseguirei ver ninguém, pois estarei em recuperação no pós-parto e acho que serei liberada lá pelas 21h, horário que acaba a visita, mas vocês poderão ver a pequena no berçário.
Infelizmente naquele processo frango de padaria… a família e os amigos todos babando e tirando foto pelo vidro… rsss

Well, acho que é isso…

Bjão a todos, quem puder, mande pensamentos positivos para nós às 18h que estaremos lá no momento mágico nós três: eu, minha pequena e o papai babão…rss”

E foi assim o pré-parto, com pensamentos positivos de todos os amigos e familiares.

E vamos que vamos, que a pequena quer mamar.rsss

E entre uma mamada e outra eu vou postando :)

Bjos,

Tis

Eu não sou muito o tipo de pessoa que faz homenagens, não é da minha personalidade. Posso parecer até mal agradecido ou desconfortável quando me vejo em uma situação em que preciso expressar esses sentimentos, assim, por educação. Acho chato isso, sabe, principalmente pelas pessoas que me ajudam e merecem o devido reconhecimento.

Por outro lado, não sinto que sou o cara que passa o chapéu toda vez que está em um momento especial da vida. Quando casei com a Tati rolou essa história de que tem lista e isso e aquilo e corta a gravata. E lembro de ficar sinceramente constrangido na casa da minha mãe, quando decidiram passar a tal da gravata. Seria hipócrita dizer que a grana não ajuda, não é essa a questão, até porque as pessoas foram muito generosas, principalmente quando a iniciativa em dar alguma coisa não veio de um pedido. Aí, eu acho, mora a questão. Vai parecer psicologia reversa, manja? Dar uma de humilde! Mas não é, a melhor ajuda não foi grana ou presente, tanto no casório, que foi muito do caralho, com o espetinho da Vl. Madalena lotado até a tampa, como agora com a Alice. Tenho sorte da Tati pensar assim também (só que ela sabe agradecer muito melhor que eu).

Acontece que chegam esses momentos em que, porra, não dá pra fazer tudo sozinho e no fim das contas a gente acaba se vendo num exercício de aniquilação do ego, tipo mantra budista. Só que tem aquelas pessoas do seu lado, querendo participar da história e ajudar. Caramba, um monte de gente que você gosta, sabendo que você vai precisar, dão aquela força sem mesquinharia ou troca de favores. Porra, é bonito demais! E pensando nisso, veio na cabeça uma cena de quando eu tinha uns 12 anos. Tava com meus tios, a Sonia e o Miguel, no Shopping, sabadão, criança adora, fliperama, McDonalds. A gente passou numa dessas lojas, tipo brinquedos Laura e tinha aqueles bonequinhos dos Cavaleiros do Zodíaco, muito louco, com armadura de montar, meteoro de Pegasus e tudo mais. Eu tava com uma grana que tinha guardado pra comprar sei lá o que, mas na hora que vi o brinquedo, pensei no Daniel, meu irmão. Porra, fui correndo e comprei o brinquedo pra ele, feliz da vida. Passou um tempo a Sonia virou pra mim e falou alguma coisa assim – As vezes você se sente melhor dando alguma coisa para alguém do que pra você mesmo – PRONTO, parece que abriu o biscoito da sorte. Mas (agora fazendo homenagem) a Sonia sabia bem o que estava falando :) .  Eu era pré-adolescente, lembro até hoje. E é isso, eu vi o Daniel tão feliz de ter ganhado o boneco que no fim aquilo foi um presente para mim. Eu vejo desse jeito a ajuda que recebemos dos amigos e da família. E, de pensar que temos pessoas assim com a gente, agora babando horrores pela Alice, fico muito feliz.

Babem :)

Babem :)

Acho que essa é minha maneira de agradecer! Meio torta, confusa e certamente aquém daquilo que todos merecem.

Um grande abraço a todos!

Começando

maio 31, 2010


Bom, esse provavelmente será o post mais longo. Pouco mais de duas semanas que a pequena nasceu e senti que precisava documentar algumas coisas, por mim, por ela, pela Tati, para as pessoas que acompanharam a saga desde o começo e pelos que se interessam, vendo que das últimas semanas, nenhuma passou em branco sem a notícia de mais um óvulo fecundado.

Pode parecer que não, mas é difícil escrever um texto sobre a experiências da paternidade. Eu sempre fiquei meio na dúvida sobre ter ou não filhos, desde que comecei a pensar no assunto, o mundo parecia saturado, olhando para frente, nunca vi um futuro dos mais bonitos para nosso planetinha e sinceramente, a classe de humanos que temos contato no dia-a-dia não é das melhores. Ainda assim, tive alguns episódios de pura babação por criança, olhando as dos outros e vendo que o tempo acaba passando rápido demais. Algumas coisas tem prazo de validade pra acontecer, pelo menos na minha cabeça. Mas sabe como é, nessas horas tudo isso nunca passou daquela conversa – “Ah, eu quero dois filhos, filho único é mimado… Eu queria um casal… Não, um menino! Tem que ser menino, sou ciumento pra cacete..” – Depois de uma certa idade (é, os trinta estão chegando) e, principalmente, depois do casamento, esse tipo de assunto fica mais frequente, mas daí a consumar o fato, são outros quinhentos.

Já deu para perceber que nossa pequena não foi, digamos, planejada. Não dá pra usar a palavra acidente, estamos todos vivos e inteiros, mas sim, levamos um susto, Alice não foi muito inglesa ao chegar uns dois anos adiantada.

Acho que como ponto de partida, dá pra colocar o dia em que a Tati veio do banheiro, segurando o teste, chorando e dizendo – Estou grávida… estou grávida!! Eu ainda não tinha nem acordado direito, sinceramente não lembro minha primeira reação. Mas considerando que esse é exatamente o tipo de notícia que esperamos num sábado de manhã, acho que segurei a bronca. Na real, nessa situação, ou você surta, ou simplesmente aceita e relaxa. Foi meio isso, eu lembro de abraçar a Tati e dizer que ia ficar tudo bem, que a notícia era boa, não tinha razão pra ficar preocupada. Ok, a gente mente só um poquinho.

Claro que não fiquei 100% budista, liguei logo de cara para minha mãe e em seguida para meu pai, precisava compartilhar e também saber o que eles sentiam. Por mais grandinho e criadinho, a aprovação dos pais sempre pesa e a reação deles não poderia ser melhor. Tati também, ligou pra mãe e aos poucos o medo foi virando comemoração e a gente foi vendo que o legal mesmo não é ser pai, o bom é ser vô!

Pronto, trauma superado, nervos no lugar, tudo bonito, elgante e tranquilo, certo? Errado, lógico! Nego, tem nove meses pela frente, nove meses. Sabe o que é isso? Ultrasom, médico, pré-natal, laboratório, muda a casa, reforma, pinta, erra, pinta de novo, suja tudo, barriga cresce, engorda, chora, remédio, economiza, gasta, sorri, dorme, dorme, dorme, ouve um, ouve outro, não aguenta mais ouvir conselho, vem, vai, volta, e, meu amigo, assim por diante.

Para descrever os nove meses, vou precisar de um post exclusivo. Mas vale a pena colocar duas coisas, primeiro uma legal, e que é sempre uma discussão dos infernos, sexo e nome. A Tati queria Benício e eu Gabriel, ficou Alice. Não, ela não pariu um transformista. Eu sempre achei que seria menina então discutia só para provocar, Benício é nome de vô, com respeito aos Benícios, mas a Tati pensava diferente. No final Alice já estava praticamente escolhido, entre Sophia, que é a nova moda (metade da cidade de São Paulo daqui 20 anos vai chamar Sophia) e Nina. Nina é bonitinho, mas num sei, acabou no Alice, que eu sugeri. Acho lindo, forte, com personalidade e por sorte, a Tati também gosta.

A outra coisa, que a princípio não foi tão bacana, aconteceu quando a Tati estava de seis meses. Descobrimos uma mancha no pulmão da Alice. BUM! Pelo ultrasom ficava difícil dizer o que era e para falar a verdade, até agora, 19 dias depois do parto, não sabemos. Mas continuando, a mancha estava lá e o médico de ultrasom dizendo para não nos preocuparmos naquele momento. Ahã, fácil! Eu chorei, a Tati chorou, mas aí, depois de uma semana com aquele peso no peito, alguma coisa tinha que ser feita. Não dá pra cair em depressão, bola pra frente! Exame aqui, ali, ultrassom do coração, abdome, pulmão, médico x, y, z. Semana a semana, acompahando e vendo a mancha diminuir e Alice crescer. No fim, aquilo que parecia ter metade do tamanho do pulmão da pequena, ficou quase invisível no último ultrassom. Tem gente que agradece a deus. A Tati acredita, eu não, normal. Na época dos meus pais, Alice nesceria e muito provavelmente viveria uma vida normal, sem nem saber o que tinha rolado. Eu sou muito grato em saber que, se ela tivesse alguma coisa, estaríamos preparados para segurar as pontas. Sou muito grato aos médicos que, sim, deram um susto ao diagnosticar, mas souberam acompanhar e nos deixaram mais tranquilos quando viram que ela estava bem. De qualquer jeito, a questão deus, religião, etc… fica pra outro post :) .

A parte louca dessa história é ver como a gente virou uma família, desde o dia da Tati chorando com o teste na mão. Quando a bucha aperta, a gente faz de tudo para proteger, engulimos o orgulho e aceitamos ajuda sem piscar.

E pra vocês verem, a ficha foi caindo, a barriga tava enorme, quando Alice mexia era chute no baço, soco no fígado, pernada na costela, não botava fé que ela ainda não tinha saído. As visitas nas maternidades, curso de gestante, o quarto ainda tava meio zona. A gente acaba pensando um monte de coisas e principalmente em como a vida vai mudar. O tempo passa.

E lá estava eu, paramentado, avental, touquinha. A sala de espera ficou pequena e andava de um lado pro outro, fazendo buraco no chão. Tati estava na sala de cirurgia, recebendo anestesia. Comigo, toda preparação, câmera pendurada, a enfermeira vem e diz que eu posso entrar. Andei sem perceber. Tati já estava deitada com uma cortina azul tampando a cena. Fumacinha do bisturi, cheirinho de queimado, bip, bip, bip… – Pode vir filmar, papai.. – OK!!!! Daí pra frente é difícil descrever, vou ficar confuso (mais), mas está lá, a barriga aberta e não é algo bizarro, se fosse TV tipo Discovery eu mudava de canal, mas é diferente. Puxa, estica, corta e depois de algum esforço da médica japonesinha que você não dá nada, surge aquela criaturinha, perfeita, engasgada, assustada, cabeluda. Daí você chora. A mãe mal vê e já levam a pequena para limpar, pesar, pingar coisa no olho, enfiar tubo na garganta. Nascer é foda!

Depois disso, primeiro banho, neuras, noites em claro, dúvidas e muito amor pela pequena.

Alice está entre nós, talvez ela ainda não esteja muito consciente disso, mas em breve estará aprontando as suas.

No próximo post, nossos primeiros dias com a macaquinha, os amigos e as famílias.

Até

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